quinta-feira, julho 20
O coaxar dos anuros...

No reino dos anuros apenas os machos coaxam. É um dos meios que usam para tentar encantar as fêmeas... nas épocas de acasalamento desenvolvem um enorme saco vocal e cantam que se fartam ...
Ranicultura e desenvolvimento sustentável
Todos conhecemos aquele chavão que diz: o desenvolvimento sustentável é aquele que garante às gerações vindouras a possibilidade de usufruir dos recursos que as gerações actuais têm ao seu dispor.
Para que tal se verifique é fundamental que saibamos fazer uma correcta utilização e uma boa gestão dos recursos para evitar, ao máximo, a sua destruição e garantir a continuidade da sua usufruição.
Ora, como bem sabemos, este princípio básico de preservação do meio ambiente, e consequentemente dos recursos naturais, é, regra geral, infringido. O sector das pescas é disso um bom exemplo; tem-se pescado tudo, de qualquer dimensão, em qualquer época do ano e em quantidades crescentes. Os resultados estão à vista: diminuição drástica do stock de pescado, desaparecimento de espécies e, naturalmente, aumento dos preços ao consumidor. Neste quadro, caríssimos apreciadores do bom peixinho, convençam-se e mentalizem-se de que é preciso comer peixe de viveiro; é, e será cada vez mais, a derradeira alternativa para podermos continuar a ingerir proteína animal de origem aquática.
Mas, por que razão, perguntam vocês, toda esta conversa se estamos num blog temático destinado aos anfíbios?
A resposta é simples: se a aquacultura é uma actividade essencial para garantir, por um lado, as necessidades alimentares da população mundial e, por outro lado, a preservação das espécies marinhas e fluviais, a ranicultura tem também uma importância indiscutível na perspectiva da manutenção dos efectivos das espécies de anuros.
Pois é… caríssimos!!! Apesar de não fazer parte das iguarias às quais estamos habituados, há culturas e povos que se deliciam com umas patitas de rã…
Como compreenderão, estas opções chocam-me, particularmente. No entanto, não quero, de modo algum, contrariar gostos e criticar culturas. Por isto, resta-me aconselhar o recurso aos produtos da ranicultura em vez da caça furtiva a estas espécies que, no seu meio ambiente, já são tão suficientemente ameaçadas por muitos outros factores de natureza humana.
Ranicultura

Todos temos gravadas as imagens de leitões nas suiniculturas, de vitelas nas explorações de engorda de bovinos e de frangos nos aviários...
No entanto, penso que esta imagem da rãs numa exploração
de ranicultura ainda não faz parte da nossa memória ram.Se quiserem actualizem o ficheiro da vossa memória... se preferirem façam já um delete...
terça-feira, julho 18
A rã Ibérica (Rana iberica)

A rã ibérica é um endemismo da Península Ibérica que apresenta uma coloração em tons de castanho ou, mais raramente, esverdeada. Essencialmente de hábitos nocturnos, vive junto de linhas de água e fica praticamente inactiva nos meses de Julho e Agosto, em virtude das temperaturas demasiado elevadas. Por isto, será difícil encontrar uma razita destas nesta altura do ano. Além do predador humano, o toirão, a cobra de água, os corvos, as gralhas e as garças são outros predadores dos quais ela tem de se defender com frequência.
Para saber mais (dimorfismo sexual, dimensão, hábitos de vida, características morfológicas, etc) consulte-se o site do ICN.
quinta-feira, julho 13
Encontro de educação ambiental
A propósito do encontro anual de educação ambiental, podemos consultar o portal do ambiente e do cidadão do site Maia Digital que disponibiliza feeds.
quarta-feira, julho 12
O Humor do Zé Né...
Como nem sempre se vêem os comentários e como este merece registo, aqui vai um do Zé Ernesto...
Certo dia ia um sapito a saltitar, até que encontrou um sulco feito por uma roda de carro de bois, cheio de água das chuvas.
A vala parecia grande demais para ele o que o deixou indeciso:
salto... não salto;
salto... não salto;
...
6 horas depois:
salto... não salto;
salto... não salto;
...
3 dias depois;
que se lixe... salto...
TCHAPUM. O sapito caiu mesmo no meio da água.
Apressou-se a sair da vala e a resmungar para si próprio:
"Quem me manda a mim ir com tanta pressa..."
Bem - hajas Zé Ernesto!
terça-feira, julho 11
Lembranças
A foto do último post é uma das minhas lembranças de infância…
Quando na Primavera os campos eram virados pelos arados puxados pelos carros de bois, e não por essas máquinas violentes, pesadas e brutais a que hoje chamamos tractores, quando a meio da manhã se estendia a toalha de linho na borda das terras mexidas e se comia deliciadamente a sardinha frita, a omeleta de salsa ou a punheta de bacalhau, sim nesse tempo… os sapos passeavam sobre a terra castanha e húmida à procura de um novo lugar para se abrigarem. Esses exemplares machos que, contrariamente à maioria dos do seu género, cuidam carinhosa e empenhadamente da prole até que esta se autonomize, eram uma referência fundamental da nossa herpetofauna. No entanto, as mudanças sociais e tecnológicas a que fomos assistindo ao longo dos anos 80 e 90, se para muitos são sinais de progresso e de desenvolvimento (ah, ah, ah…) para outros não passam de negras marcas das mudanças regressivas que a sociedade portuguesa viveu, essas mudanças, dizíamos, foram a causa do desaparecimento gradual desta espécie que, nos dias de hoje, se encontra seriamente ameaçada.
Façam o favor de estar atentos e de proteger todos os indivíduos das espécies em que os machos assumem, verdadeiramente, o seu papel de progenitores.
sábado, julho 8
Anfíbios em risco!
Pois é! A vida dos anfíbios não é fácil… Os atropelamentos, de que já falámos, a construção caótica de espaços urbanos, de estradas e de estradões, de Otas de alquevas e outras coisas que tais, as alterações climáticas, a introdução de espécies exóticas, a destruição das florestas, a poluição dos rios …
Em suma, uma lista interminável de causas têm contribuído, e continuarão a contribuir, para a redução preocupante destes bicharocos que, além de simpáticos, são extremamente úteis para o equilíbrio dos ecossistemas, uma vez que se alimentam de insectos prejudiciais e, em situação de abundância, serviriam também de alimento a aves e outros predadores cuja existência também é importante para a biodiversidade.
É pois por estas razões, e por gostar efectivamente dos anuros, bem como dos seus parentes mais próximos como, por exemplo, as salamandras, que aqui vou deixando algumas notícias que têm o objectivo de sensibilizar e alertar para esta situação ambientalmente preocupante.
Assim, aqui vai mais uma notícia a propósito da desertificação e das alterações climáticas.
Mau tempo para anfíbios e répteis do Sudoeste da Europa
“As alterações climáticas previstas poderão causar contracções substanciais nas distribuições de anfíbios e répteis do sudoeste da Europa, de acordo com um novo estudo publicado na revista "Journal of Biogeography". A equipa liderada pelo investigador português Miguel Araújo, do Museu Nacional de Ciências de Madrid, projectou as distribuições de 42 espécies de anfíbios e 66 espécies de répteis, nos próximos 20-50 anos, utilizando 4 cenários de emissões de gases de estufa propostos pelo Painel Inter-governamental sobre Alterações Climáticas assim como dois modelos climáticos (HadCM3 e CSIRO2). Os investigadores descobriram que os aumentos previstos na temperatura não seriam causa provável de declínio das espécies de anfíbios e répteis na Europa. Um cenário de arrefecimento global seria, na realidade, bastante pior.
No entanto, o aumento de aridez previsto para o sudoeste da Europa poderá causar reduções acentuadas na área de distribuição de quase todas as espécies de anfíbios e répteis que ocorrem actualmente em Portugal, Espanha e França. Os impactes que se prevêem para estes países não são triviais dado o facto de albergarem 62% de todas as espécies de anfíbios e répteis que ocorrem na Europa. A elevada percentagem de anfíbios e répteis que ocorrem nestes três países deve-se ao facto da Península Ibérica ter constituído um importante refúgio para a sobrevivência de espécies de anfíbios e répteis durante os períodos glaciares que antecederam o período quente actual. Segundo Miguel Araújo a verificarem-se as alterações climáticas previstas, "estas regiões que foram chave para a sobrevivência dos anfíbios e répteis poderão transformar-se em regiões com elevadas taxas de extinção".
2006-06-19, in http://www.cienciahoje.pt/
quinta-feira, julho 6
Trabalho nunca apresentado...
Lembram-se de um trabalho que a Dra. fernanda nos pediu para fazermos?! ... pois eu fiz... e como ainda perdi algum tempo, penso que vale a pena partilhá-lo...
We are the champions
Não vamos à final, mas podemos continuar a sonhar com o futuro... quem sabe?!...um dia...
Parque Nacional da Peneda Gerês
Como penso que sabem, decidi não deixar crias para assegurar a continuidade da espécie. (*)
No entanto, acredito que esta não seja a decisão de mais nenhum de vós... Então, caríssimos, para poderem deixar às vossas crias uma paisagem exemplar como a do Gerês é fundamental que, além da diversão dos petiscos e das bejecas, tenham também a preocupação de proteger e preservar.
(*nota pessimista: será que foi por saber que a espécie humana foi, e será, a grande destruidora de todas as outras?!)
Informação: O Parque ainda é um importante abrigo de espécies de répteis e anfíbios, algumas das quais endemismos (caracteríticos e exclusivos de uma dada região) lusitânicos ou ibéricos. A título de curiosidade, há uma espécie de víbora - víbora de seoanei - que consta do Livro vermelho das espécies ameaçadas e cuja área de distribuição se encontra restrita ao PNG.
Aqui deixamos algumas características desta espécie, bem como uma bela fotografia!!!
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Nome comum: Víbora de Seoane
Nome científico: Vipera seoanei
Classe: REPTILIA
Ordem: SERPENTES
Família: VIPERIDAE
Género: Vipera
Espécie: Vipera seoanei
Particularidade: Endemismo ibérico
Abundância: Escasso
Tendência populacional: Desconhecida
Factores de ameaça:
Alteração e/ ou destruição do habitat
Destruição e/ou perturbação de indivíduos
Comércio
Escassez de informação biológica e ecológica
Atenção aos atropelamentos!!!
“Anualmente milhões de vertebrados são atropelados nas estradas europeias e ibéricas. A informação disponível para Portugal é ainda limitada, mas as listas existentes registam um número elevado de animais, incluindo de diversas espécies ameaçadas.
Em Portugal, a mortalidade de animais selvagens por atropelamento apenas recentemente se tornou matéria de investigação. Os escassos trabalhos entretanto realizados, vieram confirmar os piores receios: milhares de animais, de dezenas de espécies, muitas das quais ameaçadas, morrem atropelados anualmente às mãos de um tráfego automóvel em constante crescimento.
Durante as últimas décadas, assistiu-se em Portugal a uma significativa expansão da rede viária, facto que encontra paralelo em todos os países europeus, onde a necessidade de mobilidade ditada pelas sociedades modernas resultou na criação de gigantescas redes de infra-estruturas viárias. Para além das evidentes transformações na paisagem original e, consequentemente, nos habitats naturais interceptados por estas estruturas, a proliferação das redes de transportes teve como consequência um acentuado incremento dos impactes ambientais, nomeadamente sobre a fauna selvagem. A situação tornou-se de tal forma grave que a União Europeia e o Centro Europeu para a Conservação da Natureza, decidiram promover a elaboração de um manual – European Handbook on Habitat Fragmentation due to Linear Transportation Infrastructure – e constituir uma associação, a IENE (Infra Eco Network Europe), com o intuito de promover uma rede europeia de vias de transporte sustentável e compatível com a conservação da biodiversidade.”











